Harakiri - O Lado Extremo da Honra (Parte III)

 

A Era Tokugawa e o Shogunato acabaram em 1868 com a concentração do poder na família imperial e a abertura do Japão ao resto do mundo. Enquanto o país se modernizava rapidamente, alguns hábitos se pulverizavam. Tanto que o poderoso Shogun Tokugawa, ao ser derrotado, não praticou o seppuku para defender a própria honra. Pediu clemência e ganhou asilo em uma pequena província onde se dedicou ao artesanato e à produção de bicicletas.

Outros casos ficaram conhecidos na história após isso. Em 1877 Saigo Takamori, o líder da rebelião contra o governo imperial japonês, foi derrotado na batalha de Satsuma (Japão meridional). Ele cometeu seppuku da maneira samurai no campo de batalha e se tornou um herói popular para os japoneses.

Em 1895, quarenta homens militares japoneses protestaram contra o retorno da Península Liaotung para a China cometendo seppuku. os japoneses haviam ganho um inesperada e fácil batalha contra os chineses na Guerra Sino-japonesa em 1894-1895. A península foi devolvida como parte do Tratado de Shimonoseki, mediado pelos Estados Unidos.

Além disso, quando o Imperador Meiji faleceu em 1912, o general Nogi cometeu seppuku.

Em pouco tempo os duelos foram severamente reprimidos pelo governo central. Sem guerras e sem poder duelar, os samurais começaram a escassear.

Com a abertura dos portos, começou a entrar no Japão uma grande quantidade de armas de fogo. O governo, já instalado em Tóquio, organizou um exército nacional institucionalizado. A espada já não tinha mais utilidade como arma de guerra, nem os samurais tinham mais espaço como guerreiros. No início do século XX, eclodiram revoltas regionais de samurais, que viam sua classe ameaçada, até que o governo declarou o fim da casta e proibiu que as pessoas andassem com espadas na rua.

Várias dessas espadas foram destruídas e outras guardadas como objetos de adoração. Pouco mais de meio século depois, a tradição dos samurais sofreu novo e duro golpe. Com a derrota do Japão na Segunda Guerra e a dominação americana, todas as armas do país foram confiscadas, inclusive as espadas de samurais que vinham sendo passadas de geração em geração durante séculos. Na década de 60, parte dessas espadas foram devolvidas às famílias. A maioria, no entanto, acabou sendo destruída.

O último caso data de 1970 quando Yukio Mishima, um famoso escritor nacionalista japonês, cometeu suicídio pelo rito do seppuku. O fato chamou a atenção de toda mídia ocidental.